Trabalhadores da Conab aceitam contraproposta da empresa para ACT 2026/2027

Os trabalhadores e trabalhadoras da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) aprovaram, por ampla maioria, a contraproposta apresentada pela empresa para o Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) 2026/2027. A decisão foi tomada em assembleias realizadas pelas entidades filiadas à Federação Nacional dos Trabalhadores no Serviço Público Federal (Fenadsef) nos estados e no Distrito Federal, além da Assembleia Nacional convocada pela Federação Interestadual de Sindicatos de Engenheiros (Fisenge).

A decisão foi formalizada pelas entidades representativas por meio de um ofício conjunto, encaminhado à Presidência da Conab na sexta-feira, 18 de setembro. Apesar da aprovação, as assembleias registraram três ressalvas que deverão ser observadas pela empresa na consolidação e formalização do ACT 2026/2027.

Taxa negocial

A primeira ressalva diz respeito à Cláusula 51ª sobre contribuição financeira dos empregados. Conforme registrado no ofício, a Fisenge apresentou uma redação específica para tratar da taxa negocial, que foi levada à apreciação dos trabalhadores e aprovada em assembleia.

As entidades solicitaram que essa redação, constante do documento apresentado aos trabalhadores e anexado ao ofício, seja considerada no processo de consolidação e formalização do novo acordo coletivo.

Jornada de trabalho

A segunda ressalva está relacionada à Cláusula 21ª sobre jornada de trabalho. Embora a redação encaminhada pela Conab tenha incluído a expressão “ou gratificação técnica” ao final do parágrafo 2º da cláusula, essa inclusão não foi objeto de discussão durante as reuniões realizadas entre as comissões de negociação dos empregados e da empresa.

Por esse motivo, o texto aprovado pelos trabalhadores é o que garante a manutenção da jornada de seis horas corridas para empregados com doenças limitantes ou doenças crônicas e limitantes, mediante comprovação por laudo médico e aprovação pelos profissionais indicados pela Companhia.

A ressalva estabelece expressamente a exclusão da expressão “ou gratificação técnica” da redação aprovada em assembleia.

Prorrogação do ACT 2024/2026

A terceira ressalva trata do 1º Termo de Prorrogação do ACT 24/26.

As entidades representativas destacam que o termo deve ser considerado e contemplado para todos os efeitos, integrando o processo de negociação e a consolidação das condições pactuadas para o período subsequente.

Próximos passos

Com a aprovação da contraproposta por ampla maioria, o processo segue agora para a etapa de consolidação e formalização do Acordo Coletivo de Trabalho 2026/2027.

Para Fenadsef, Fisenge e Asnab, a comunicação das ressalvas é fundamental para assegurar que o texto final do acordo corresponda ao que efetivamente foi negociado e aprovado pelos trabalhadores da Conab.

As entidades seguem acompanhando a formalização do ACT e a observância dos pontos registrados nas assembleias da categoria.

Fenadsef, Fisenge e Asnab

Eleições e o futuro do serviço público: uma escolha que afeta toda a sociedade

O Brasil vive um momento decisivo. O processo eleitoral coloca diante da sociedade diferentes projetos para o futuro do país, e essa discussão interessa diretamente aos trabalhadores, aos servidores públicos e a todos aqueles que dependem dos serviços prestados pelo Estado.

Para o funcionalismo público, olhar para o passado recente é fundamental. Mais do que discursos e promessas, é preciso observar o que aconteceu concretamente com os servidores e com o serviço público nos diferentes períodos de governo.

Durante o governo Jair Bolsonaro (2019–2022), os servidores públicos federais passaram os quatro anos sem um reajuste salarial geral. Ao mesmo tempo, o governo apresentou ao Congresso a PEC 32/2020, da Reforma Administrativa, que propunha mudanças profundas na organização do serviço público e que praticamente acabava com estabilidade e desmontava as carreiras, além de precarizar os serviços públicos, abrindo as portas para as privatizações. Graças à luta dos trabalhadores e a organização do movimento sindical, a proposta foi enterrada no Congresso Nacional.

É importante registrar que essa era uma medida criada e defendida pelo próprio governo Bolsonaro para beneficiar setores empresariais que tinham interesses em assumir atividades do setor público. Portanto, havia uma justificativa apresentada pelo governo para a proposta, ao mesmo tempo em que as entidades representativas dos servidores apontavam riscos para a estabilidade, as carreiras e a qualidade dos serviços públicos.

A realidade começou a mudar a partir de 2023. O governo Lula reabriu a Mesa Nacional de Negociação Permanente com os servidores, interrompida desde 2016, e chegou a um acordo com mais de 100 entidades que resultou no reajuste linear de 9% para os servidores civis federais do Executivo.

Na sequência, novos acordos foram firmados com diversas categorias. Em 2025, foi sancionada legislação garantindo reajustes e reestruturações de carreiras para os servidores do Executivo Federal em 2025 e 2026. Também foram autorizadas milhares de vagas para recomposição da força de trabalho federal desde 2023.

Outro aspecto importante é a relação com as entidades sindicais. Em abril de 2026, o governo encaminhou ao Congresso uma proposta de regulamentação da negociação coletiva e da representação sindical no serviço público, com base na Convenção nº 151 da Organização Internacional do Trabalho. A medida pretende estabelecer mecanismos permanentes de negociação entre trabalhadores e administração pública.

A discussão eleitoral não se limita ao funcionalismo. A jornada de trabalho e o fim da escala 6×1 passaram a ocupar espaço central no debate nacional sobre o mundo do trabalho.

Em abril de 2026, o governo Lula encaminhou ao Congresso um projeto de lei propondo o fim da escala 6×1, a redução da jornada máxima de 44 para 40 horas semanais e a garantia de dois dias de descanso remunerado.

Para os trabalhadores, é fundamental acompanhar esse debate não apenas pelos discursos dos candidatos, mas pelas propostas concretas, posições assumidas e votações realizadas.

Para o movimento sindical, defender o serviço público significa defender direitos sociais que chegam diariamente à população. Saúde, educação, previdência, fiscalização, assistência, ciência, tecnologia, segurança e tantas outras áreas dependem de trabalhadores valorizados e de estruturas públicas capazes de atender às necessidades da sociedade.

“O servidor público precisa olhar para a história recente e avaliar o que aconteceu com sua carreira, seu salário, suas condições de trabalho e seu direito de organização. Não podemos analisar uma eleição apenas pelos discursos. Precisamos observar as medidas concretas adotadas por cada governo e por cada projeto político”, afirmou o presidente do Sindsep/MA, João Carlos Lima Marins.

A experiência dos últimos anos demonstra que as decisões tomadas em Brasília têm consequências concretas na vida dos servidores: salários, carreiras, concursos, aposentadorias, condições de trabalho, negociação coletiva e capacidade do Estado de prestar serviços à população.

Por isso, neste processo eleitoral, é papel das entidades sindicais ampliar o debate, apresentar informações e cobrar dos candidatos compromissos claros com os trabalhadores e com a sociedade.

BC corta Selic pela 5ª vez seguida e queda abre espaço para crédito mais barato, mas trabalhadores cobram juros ainda menores

A redução da taxa básica de juros pelo Comitê de Política Monetária (Copom) representa um movimento importante para a economia brasileira, principalmente neste momento de disputa eleitoral, em que a economia influencia diretamente no resultado das eleições, mas ainda está longe de resolver o problema do alto custo do dinheiro no país. Na reunião de ontem, o Banco Central reduziu a Selic para 13,75% ao ano, dando continuidade ao ciclo de cortes iniciado em março.

Para os trabalhadores, a queda dos juros pode significar, gradualmente, melhores condições para empréstimos, financiamentos e renegociação de dívidas. Também pode favorecer o consumo e os investimentos, estimulando a atividade econômica e contribuindo para a geração e manutenção de empregos. O próprio Banco Central reconhece que a política monetária produz efeitos sobre a atividade econômica com defasagens e que a transmissão dos juros para a economia ocorre ao longo do tempo.

Para o presidente do Sindsep/MA, João Carlos Lima Martins, a curva de redução da taxa de juros é importante, mas ainda está muito longe do esperado.

“Mesmo com mais essa redução, a taxa básica ainda está em um patamar bastante elevado. Por isso, os trabalhadores e o movimento sindical precisa permanecer com a pressão para que o processo de redução dos juros avance, permitindo que seus efeitos cheguem de forma mais efetiva ao bolso da população”, afirmou o presidente João Carlos.

Juros menores não significam apenas números nos indicadores econômicos. Para quem vive de salário, eles podem representar menor custo para quitar dívidas, financiar uma casa, adquirir bens e organizar o orçamento familiar. Para o setor produtivo, podem significar melhores condições para investir, ampliar atividades e contratar.

Outro ponto fundamental é garantir que a redução da Selic seja efetivamente repassada ao consumidor. Uma queda da taxa básica não produz automaticamente uma redução proporcional nos juros cobrados por bancos e financeiras. Por isso, além do movimento da Selic, é necessário acompanhar o comportamento das taxas de empréstimos, financiamentos e cartões de crédito.

Desenvolvimento econômico precisa chegar ao trabalhador

A política de juros tem impacto direto sobre o conjunto da economia. O próprio Copom afirma que, além da estabilidade de preços, sua política monetária também considera a suavização das flutuações da atividade econômica e o fomento ao pleno emprego.

Na perspectiva dos trabalhadores do serviço público, a discussão sobre juros também está relacionada à capacidade de investimento do Estado e à qualidade dos serviços oferecidos à população. Um ambiente econômico com crédito mais acessível e menor custo financeiro pode contribuir para ampliar investimentos e movimentar a economia.

Para o movimento sindical, portanto, a redução da Selic é um passo que precisa ser acompanhado por medidas capazes de transformar a melhora dos indicadores macroeconômicos em ganhos concretos para a população: emprego, renda, valorização salarial, redução do endividamento das famílias e fortalecimento dos serviços públicos.

“A queda dos juros pode abrir uma nova etapa para a economia brasileira. O desafio, agora, é fazer com que essa política de juros continue em viés de baixa e que a mudança ora alcançada ultrapasse os indicadores financeiros e produza efeitos concretos na vida de quem trabalha e sustenta o país” afirmou ainda o presidente João Carlos.

Sindsep recebe candidatos e cobra compromisso com servidores federais

Bira do Pindaré e Carlos Lula assinam termo de compromisso com pautas da categoria durante encontro com a direção da entidade.

A direção do Sindsep recebeu, nesta segunda-feira (14), o ex-sindicalista e candidato a deputado federal Bira do Pindaré e o deputado estadual Carlos Lula. Durante o encontro, os dois reafirmaram apoio à defesa dos serviços públicos, à valorização dos servidores e assinaram um termo de compromisso com as principais reivindicações da categoria.

A reunião integra uma iniciativa do Sindsep de dialogar com os candidatos sobre as eleições e conhecer suas propostas para áreas que têm impacto direto na vida dos trabalhadores. A entidade considera fundamental que os servidores federais tenham acesso às posições e aos compromissos daqueles que disputam mandatos eletivos.

Mais do que apresentar suas reivindicações, o sindicato pretende ampliar o debate sobre os projetos em disputa e cobrar dos candidatos posicionamentos claros em relação aos serviços públicos, aos direitos trabalhistas e à valorização do funcionalismo federal.

“O Sindsep não pode se colocar à margem dessa disputa política. Cabe ao sindicato, enquanto entidade representativa dos servidores federais, debater os projetos e as políticas que impactam diretamente a vida dos trabalhadores, principalmente dos servidores federais. É nosso papel apresentar as demandas da categoria, cobrar compromissos e participar do debate sobre o futuro do serviço público e da sociedade”, afirmou o presidente do Sindsep, João Carlos Lima Martins.

A direção da entidade agradeceu a participação de Bira do Pindaré e Carlos Lula e destacou a importância do diálogo direto entre os candidatos e os trabalhadores. Para o sindicato, a presença dos postulantes ao mandato também permite que a categoria conheça melhor suas propostas e avalie os compromissos assumidos com os servidores.

O Sindsep informou ainda que outros candidatos do campo progressista serão convidados para participar de encontros na entidade. A proposta é abrir espaço para que apresentem suas pautas, discutam projetos e dialoguem com a direção e com os representantes dos servidores federais.

A iniciativa reforça o posicionamento político do Sindsep em defesa dos interesses da classe trabalhadora. A entidade destaca que sua atuação não se limita às questões corporativas, mas envolve também a defesa de políticas públicas capazes de garantir melhores condições de vida, trabalho e oportunidades para a população.

O sindicato reafirma que seguirá mobilizado em defesa dos servidores federais, do fortalecimento dos serviços públicos e dos direitos dos trabalhadores, acompanhando o processo político e cobrando dos candidatos compromissos efetivos com essas pautas.