BC corta Selic pela 5ª vez seguida e queda abre espaço para crédito mais barato, mas trabalhadores cobram juros ainda menores

A redução da taxa básica de juros pelo Comitê de Política Monetária (Copom) representa um movimento importante para a economia brasileira, principalmente neste momento de disputa eleitoral, em que a economia influencia diretamente no resultado das eleições, mas ainda está longe de resolver o problema do alto custo do dinheiro no país. Na reunião de ontem, o Banco Central reduziu a Selic para 13,75% ao ano, dando continuidade ao ciclo de cortes iniciado em março.

Para os trabalhadores, a queda dos juros pode significar, gradualmente, melhores condições para empréstimos, financiamentos e renegociação de dívidas. Também pode favorecer o consumo e os investimentos, estimulando a atividade econômica e contribuindo para a geração e manutenção de empregos. O próprio Banco Central reconhece que a política monetária produz efeitos sobre a atividade econômica com defasagens e que a transmissão dos juros para a economia ocorre ao longo do tempo.

Para o presidente do Sindsep/MA, João Carlos Lima Martins, a curva de redução da taxa de juros é importante, mas ainda está muito longe do esperado.

“Mesmo com mais essa redução, a taxa básica ainda está em um patamar bastante elevado. Por isso, os trabalhadores e o movimento sindical precisa permanecer com a pressão para que o processo de redução dos juros avance, permitindo que seus efeitos cheguem de forma mais efetiva ao bolso da população”, afirmou o presidente João Carlos.

Juros menores não significam apenas números nos indicadores econômicos. Para quem vive de salário, eles podem representar menor custo para quitar dívidas, financiar uma casa, adquirir bens e organizar o orçamento familiar. Para o setor produtivo, podem significar melhores condições para investir, ampliar atividades e contratar.

Outro ponto fundamental é garantir que a redução da Selic seja efetivamente repassada ao consumidor. Uma queda da taxa básica não produz automaticamente uma redução proporcional nos juros cobrados por bancos e financeiras. Por isso, além do movimento da Selic, é necessário acompanhar o comportamento das taxas de empréstimos, financiamentos e cartões de crédito.

Desenvolvimento econômico precisa chegar ao trabalhador

A política de juros tem impacto direto sobre o conjunto da economia. O próprio Copom afirma que, além da estabilidade de preços, sua política monetária também considera a suavização das flutuações da atividade econômica e o fomento ao pleno emprego.

Na perspectiva dos trabalhadores do serviço público, a discussão sobre juros também está relacionada à capacidade de investimento do Estado e à qualidade dos serviços oferecidos à população. Um ambiente econômico com crédito mais acessível e menor custo financeiro pode contribuir para ampliar investimentos e movimentar a economia.

Para o movimento sindical, portanto, a redução da Selic é um passo que precisa ser acompanhado por medidas capazes de transformar a melhora dos indicadores macroeconômicos em ganhos concretos para a população: emprego, renda, valorização salarial, redução do endividamento das famílias e fortalecimento dos serviços públicos.

“A queda dos juros pode abrir uma nova etapa para a economia brasileira. O desafio, agora, é fazer com que essa política de juros continue em viés de baixa e que a mudança ora alcançada ultrapasse os indicadores financeiros e produza efeitos concretos na vida de quem trabalha e sustenta o país” afirmou ainda o presidente João Carlos.