O Brasil vive um momento decisivo. O processo eleitoral coloca diante da sociedade diferentes projetos para o futuro do país, e essa discussão interessa diretamente aos trabalhadores, aos servidores públicos e a todos aqueles que dependem dos serviços prestados pelo Estado.
Para o funcionalismo público, olhar para o passado recente é fundamental. Mais do que discursos e promessas, é preciso observar o que aconteceu concretamente com os servidores e com o serviço público nos diferentes períodos de governo.
Durante o governo Jair Bolsonaro (2019–2022), os servidores públicos federais passaram os quatro anos sem um reajuste salarial geral. Ao mesmo tempo, o governo apresentou ao Congresso a PEC 32/2020, da Reforma Administrativa, que propunha mudanças profundas na organização do serviço público e que praticamente acabava com estabilidade e desmontava as carreiras, além de precarizar os serviços públicos, abrindo as portas para as privatizações. Graças à luta dos trabalhadores e a organização do movimento sindical, a proposta foi enterrada no Congresso Nacional.
É importante registrar que essa era uma medida criada e defendida pelo próprio governo Bolsonaro para beneficiar setores empresariais que tinham interesses em assumir atividades do setor público. Portanto, havia uma justificativa apresentada pelo governo para a proposta, ao mesmo tempo em que as entidades representativas dos servidores apontavam riscos para a estabilidade, as carreiras e a qualidade dos serviços públicos.
A realidade começou a mudar a partir de 2023. O governo Lula reabriu a Mesa Nacional de Negociação Permanente com os servidores, interrompida desde 2016, e chegou a um acordo com mais de 100 entidades que resultou no reajuste linear de 9% para os servidores civis federais do Executivo.
Na sequência, novos acordos foram firmados com diversas categorias. Em 2025, foi sancionada legislação garantindo reajustes e reestruturações de carreiras para os servidores do Executivo Federal em 2025 e 2026. Também foram autorizadas milhares de vagas para recomposição da força de trabalho federal desde 2023.
Outro aspecto importante é a relação com as entidades sindicais. Em abril de 2026, o governo encaminhou ao Congresso uma proposta de regulamentação da negociação coletiva e da representação sindical no serviço público, com base na Convenção nº 151 da Organização Internacional do Trabalho. A medida pretende estabelecer mecanismos permanentes de negociação entre trabalhadores e administração pública.
A discussão eleitoral não se limita ao funcionalismo. A jornada de trabalho e o fim da escala 6×1 passaram a ocupar espaço central no debate nacional sobre o mundo do trabalho.
Em abril de 2026, o governo Lula encaminhou ao Congresso um projeto de lei propondo o fim da escala 6×1, a redução da jornada máxima de 44 para 40 horas semanais e a garantia de dois dias de descanso remunerado.
Para os trabalhadores, é fundamental acompanhar esse debate não apenas pelos discursos dos candidatos, mas pelas propostas concretas, posições assumidas e votações realizadas.
Para o movimento sindical, defender o serviço público significa defender direitos sociais que chegam diariamente à população. Saúde, educação, previdência, fiscalização, assistência, ciência, tecnologia, segurança e tantas outras áreas dependem de trabalhadores valorizados e de estruturas públicas capazes de atender às necessidades da sociedade.
“O servidor público precisa olhar para a história recente e avaliar o que aconteceu com sua carreira, seu salário, suas condições de trabalho e seu direito de organização. Não podemos analisar uma eleição apenas pelos discursos. Precisamos observar as medidas concretas adotadas por cada governo e por cada projeto político”, afirmou o presidente do Sindsep/MA, João Carlos Lima Marins.
A experiência dos últimos anos demonstra que as decisões tomadas em Brasília têm consequências concretas na vida dos servidores: salários, carreiras, concursos, aposentadorias, condições de trabalho, negociação coletiva e capacidade do Estado de prestar serviços à população.
Por isso, neste processo eleitoral, é papel das entidades sindicais ampliar o debate, apresentar informações e cobrar dos candidatos compromissos claros com os trabalhadores e com a sociedade.
